Caótica São Paulo
On December 4, 2009 | 0 Comments

Ontem sai do trabalho as 20hrs. Havia chovido, pensei em evitar o trânsito. Fui chegar em casa as 23h da noite. Isso porquê desisti e optei por pegar um taxi. Estou cansado desta cidade. Estou cansado faz tempo. Não me importa o quanto me digam que em São Paulo se tem muita coisa para se entreter. Com a correria que levamos quem é que tem tempo para fazer qualquer coisa?
Depois de me degladiar com outros infelizes para entrar no ônibus como um bando de urubus sobre a carniça em um programa da discovery channel e perder minha vaga para uma senhora de uma tonelada que me jogou de lado, na porta do ônibus com uma “trombadinha” que quase deslocou minha bacia, resolvi pegar um taxi.
Havia uma fila para pegar o taxi. Ela ocupava meio quarteirão. Era absurdo mas ao menos civilizado. Um senhor baixo, de cabelos brancos, óculos e boa vontade entrou na fila com um suspiro. Puxou papo. A fila permanecia imóvel, não havia para onde fugir. Dei-me por vencido e desliguei o iPod.
Não me arrependi. Ele vinha de Salvador para um evento. A conversa girou ao redor dos problemas de São Paulo, que ele jurava se repetir (em escala ligeiramente menor) tanto no Rio de Janeiro quanto em Salvador. Imaginei o índice de mortes por desidratação no trânsito de cidades com temperaturas que chegam facilmente aos 40 graus. A conversa me desanimou um pouco. Pensar em fugir de São Paulo começou a parecer uma solução tão paliativa quanto as obras da marginal Tietê. Será que o futuro de todas as cidades seria o mesmo? Não exisitiria equilíbrio nunca? Todas as cidades do mundo tem problemas, é claro, mas quantas delas cruzam os braços e esperam que a próxima gestão resolva a coisa? Não sabemos pensar a longo prazo. A ciência disso tirou das minhas costas a reprimenda pelo meu imediatismo.
Chegou meu taxi. Cheguei em casa. Ganhei desconto do motorista, coisa que eu nunca vi na vida. O senhor de vasta barba exibia um sorriso satisfeito por baixo do bigode penteado. O Caos da cidade trás grandes lucros. Desisti de escrever, de pintar. Fui dormir.
Hoje estou aqui preso ao trânsito de novo. Tempo suficiente para escrever um pouco e pensar na vida. Odeio essa cidade. O farol abriu. Parece que vai andar. Espera… Parou de novo.

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