10 filmes de fantasia que fizeram a minha infância (parte II)
On September 17, 2020 | 0 Comments

Muito bem é hora de separar os adultos das crianças e revelar o TOP 5 dos 10 filmes de fantasia que fizeram a minha infância. Se você perdeu a primeira parte da lista, não se preocupe, é só clicar aqui. Agora se você já passou por essa etapa da jornada, vamos direto ao covil do vilão.

5. Krull

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Krull de 1983 é a história de um jovem chamado Colwyn, que parte para salvar a rainha Lyssa, sequestrada pela criatura chamada A Besta, durante a cerimônia do seu casamento. Colwyn é guiado por um velho sábio e em sua busca acaba fazendo uma trupe de amigos, entre os quais um ciclope e também um mago quase inútil. Colwyn consegue também a ajuda de um grupo de mercenários genéricos entre os quais Lian Neeson em inicio de carreira. Existem três coisas marcantes em Krull, primeiro a sucessão de clichês, se aproveitando dos sucessos de filmes de fantasia da época; entre emboscadas, teias de aranha, sacrifícios heroicos e o poder do amor, o filme não convenceria uma criança moderna, mas graças aos deuses antigos eu nasci em uma época mais ingênua e pude me deliciar com os efeitos práticos e as cenas de pura aventura, sem questionar as terríveis atuações ou as soluções ridículos de plot. Isso tudo era fácil de se ignorar, é claro, porquê Krull entrega a melhor arma dos filmes de fantasia, rivalizando com os sabres de luz de star wars ou com o chicote de Indiana Jones: A Glaive. Uma espécie de bumerangue em formato de estrela, coberto de jóias e com facas em suas pontas que podia ser controlada pelo seu portador. A terceira coisa que todos irão se lembrar do filme é a sinistra fortaleza da Besta. Um castelo voador que a cada se teletransporta para um lugar aleatório, o que, convenhamos, é um troço pra lá de complicado para um herói que precisa invadir a fortaleza do senhor das trevas e salvar a princesa. Depois que Colwyn consegue sua arma mágica, ele parte para encontrar um adivinho que preveja a localização futura da fortaleza, mas não não acaba por ai, ele ainda precisa chegar até ele antes que o dia se acabe e ele se transporte novamente para outro lugar, rendendo uma excelente cena contra o relógio.

Você pode assistir Krull com um checklist da jornada do herói na mão sem pular nenhum item. O filme teve um belo orçamento para a época, gasto em maquiagem e efeitos práticos, além de algumas belas cenas de stopmotion, nada que impressione a Geração Z.

4. Conan, O Bárbaro

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“– O que é o melhor da vida, Conan?

– Esmagar seus inimigos. Vê-los se arrastando diante de você. Ouvir o lamento de suas mulheres.”

Provavelmente o título mais famoso desta lista. Conan, O Bárbaro, foi o filme que fez a carreira de Arnold Schwarzenegger, que interpreta o personagem de Robert E. Howard na adaptação para o cinema de 1982. Conan, o último Cimério, é um bárbaro que vê sua aldeia ser chacinada e sua família morta e, claro, jura vingança. Anos mais tarde, já crescido, ele se torna um grande guerreiro e é contratado para recuperar a princesa de um reino que fugiu e se junto ao culto do mesmo feiticeiro que ordenou o ataque a sua aldeia. O roteiro não vai além disso, mas tempera a história rasa com boas frases de efeito, excelente cenas de luta e tanta violência que não dá nem para imaginar que o banho de sangue que chegou ao cinema foi a versão com cortes. Vocês que ficam torcendo pela versão do diretor de Liga da Justiça estão focando no filme errado. Schwarzenegger nunca foi um grande ator, mas nesse filme no começo da sua carreira fica claro que foi escolhido pelo bíceps. Uma lenda urbana diz que ele tinha tanto músculo que não conseguia pegar a espada em suas costas. Outra curiosidade interessante, duas espadas idênticas foram forjadas para a gravação do filme, cada uma custando 10 mil dólares. Isso sim é um item de colecionador.

Apesar da péssima reação da crítica, Conan faturou 60 milhões de dólares e se tornou febre entre os nerds daquela geração. Honestamente o filme me agrada pelas falas toscas e pelos efeitos práticos, mas qualquer um que tenha lido um conto do Robert E. Howard tem dificuldade em reconhecer o Conan do filme. Howard usava a selvageria de Conan como forma de criticar os ditos povos civilizados (claro com dose cavalar de racismo, antes que eu me esqueça), já o Conan do filme é só um brucutu imenso e meio burro. Culpa do roteiro ou da péssima atuação do Schwarzenegger? Jamais saberemos.

3. História sem fim

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Baseado no livro de  Michael End, História sem fim deve ser uma das trilhas sonoras mais conhecidas das crianças dos anos 80 até hoje. O filme conta a história de Bastian Balthazar Bux, um garoto tímido que gosta de ler para fugir dos seus problemas. O que se agrava depois da perda de sua mãe. Um dia, depois de uma briga com outros alunos da sua escola, Bastian se esconde em uma livraria, onde ele encontra um livro chamado “História sem fim”. É através da sua leitura, que nós ficamos conhecendo o reino mágico de Fantasia, que está sendo devorado pelo Nada, a medida em que as pessoas deixam de acreditar na magia. Na história do livro, a Imperatriz Criança envia Atreyu, um jovem guerreiro, para buscar a cura para o mal que se abate pelo reino, ameaçando a existência de todas as criaturas fantásticas. Para a sua tarefa, a Imperatriz entrega a ele o Auryn, um medalhão que é símbolo da Imperatriz e que também consta na capa do livro que Bastian está lendo. Atrás do medalhão existe uma inscrição dizendo “Faça o que desejar!” (que eu sinceramente não me lembro se aparece no filme), e explica um pouco do poder concedido pelo artefato místico. O filme é uma adaptação light de metade da história do livro, que tem uma versão mais sombria e hermética e foi sumariamente rechaçado pelo autor, que chegou a chama-lo de “revoltante” e disse que os produtores não entenderam a história e só fizeram aquilo por dinheiro. Apesar disso tudo, o filme fez bastante sucesso e não nos poupa das lágrimas, enquanto os personagens se sacrificam para salvar fantasia. A sucessão de traumas e papos filosóficos fazem algumas pessoas questionar se História sem fim é mesmo uma história de fantasia, ou um terror psicológico. Eu aposto em ambas as coisas.

2. O Feitiço de Áquila

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Provavelmente o filme de fantasia mais “adulto” desta lista. O Feitiço de Áquila é uma história de amor proibido. Quando o Bispo de Áquila descobre que Isabeau está apaixonada pelo capitão Navarre, faz um pacto com satanás para jogar sobre eles uma maldição. Durante o dia, Isabeau é transformada em um falcão e durante a noite, Navarre se transforma em lobo. A existência solitária do casal só muda quando eles encontram Gaston, o Rato, a única pessoa que já conseguiu escapar dos calabouços de Áquila. Gaston se torna mediador entre Navarre e Isabeau que passam a ter no aliado uma forma de contato, rendendo algumas cenas bonitas de amizade entre os três. Com a sua ajuda, o casal encontra uma esperança para acabar com a maldição. O filme está longe de ser perfeito, tem alguns erros estranhos de continuidade e algumas soluções questionáveis de roteiro, mas tem uma fotografia tão bonita e uma produção tão cuidadosa que dificilmente alguém vai parar para reclamar. O elenco do filme é outro grande acerto. Do covarde Gaston, interpretado por Ferris Buller, digo… Mathew Broderick, passando por Rutger Hauer e Michelle Pfeiffer, como o casal principal e John Wood, como o desprezível bispo de Áquila. Junte a isso as pelas locações da Italia e o filme poderia até ser ruim que eu assistira do mesmo jeito, mas ainda bem que o filme é bom.

1. A Lenda

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O páreo foi duro no final, mas o topo da minha lista de filmes de fantasia ficou para “A Lenda”, de Ridley Scott. A história gira em torno de Jack interpretado por um jovem Tom Cruise, um camponês que vive em uma floresta recheada de seres mágicos e que para ganhar alguns pontos com Lili, a princesa, resolve mostrar para ela os segredos da floresta, com resultados trágicos. Lili rompe um acordo da floresta, abrindo margem para que O Senhor das Trevas (sério, desta vez chama senhor das trevas mesmo), consiga mergulhar o mundo em um profundo inverno, congelando o próprio tempo. A partir de então, Jack precisa se redimir se unindo a uma fada, um elfo e dois anões para invadir o covil do Senhor das Trevas, salvar Lili e impedir a destruição da vida. Toda a produção de mascaras e maquiagens para o filme merece destaque, passando pelos anões narigudos, os goblins esverdeados, a fada cintilante e as versões de Lili como princesa ou princesa sombria, mas o grande destaque deste filme e o provável motivo para ele estar na lista é a caracterização de Tim Curry como o Senhor das Trevas, um demônio gigantesco, com grandes chifres casco, pele vermelha e tudo o que se tem direito. A lenda foi um dos primeiros filmes que eu assisti no cinema com a minha mãe, o que provavelmente não foi uma boa ideia pensando na dificuldade que tive para dormir durante as semanas seguintes, mas foi verdadeiramente meu primeiro contato com o universo de filmes de fantasia o que me contaminou para o resto da vida. Talvez por critérios puramente técnicos, ele estivesse em outra colocação, mas pela importância que teve na minha formação e uma boa dose de memória afetiva, A Lenda merece o meu destaque entre todos os filmes de fantasia que desgraçaram a minha cabeça e me tornaram essa criatura peculiar.

E vocês? Quais foram os filmes de fantasia que marcaram a sua infância? Esqueci de algum título importante? Deixe nos comentários, quem sabe faremos uma nova lista.

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